sexta-feira, 17 de junho de 2011

Unhas vermelhas.

O relógio despertou. E antes mesmo de abrir os olhos, foi passeando com sua mão pela cama, queria que ele ainda estivesse ali. Não estava. Sabia que não o encontraria. Talvez um bilhete ou um telefonema. Só pra que ela tivesse coragem de levantar da cama e enfrentasse o mundo, tendo a certeza de que ele estaria ali a noite.
Levantou, e foi direto pro chuveiro, na esperança de que a água quente tirasse de sua cabeça a noite anterior e toda a culpa por ter sido irracional, mais uma vez. Sabia que se ele aparecesse ali, agora, ela não iria ao trabalho, não atenderia o telefone, nem a campainha, ficaria na cama com ele o resto do dia.. três dias.. a semana toda.
Era totalmente vulnerável a seus pedidos, mesmo que passasse o dia treinando não's pra dizer. Sabia que era só ele pedir, ela faria. Era só ele tocar a campainha que ela o deixaria entrar. Era só ele dizer que queria ficar.
Desligou o chuveiro, puxou a toalha e foi pra frente do espelho. Se olhava, enquanto se condenava por dentro, tentava convencer a sí mesma de que estava bem. - Se ele ligar, eu não atendo. Se ele vier, eu não deixo subir. Se ele mandar flores, eu jogo fora. Repetia, mentalmente, o mantra.  
Na sala estavam as taças de vinho, largadas na pressa de irem para o quarto. No corredor, seus sapatos.
A casa ainda tinha seu perfume. A parede do quarto dela, pintada com a cor preferida dele. Unhas vermelhas, do jeito que ele gostava. Queria que ele quisesse ficar, que não quisesse ir embora. Mesmo que tenha seu coração esmagado todas as vezes que o procura na cama. Um dia, talvez, ele esteja lá de manhã. Ela espera com uma taça de vinho na mão, pra se sentir dona, nem que seja só enquanto durar a noite.

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